Nova “Guerra Fria” gera atritos entre EUA e China devido a pandemia.

O surto da Covid-19 passou a intimidar todo o mundo de uma forma muito repentina, mesmo sendo considerado de baixa mortalidade, sua alta capacidade de transmissão fez com que o vírus atingisse áreas muito extensivas dentro de aproximadamente todos os continentes do planeta, tendo como gênese na cidade de Wuhan na China em meados de dezembro de 2019, hoje, cinco meses depois do seu início, já são registrados aproximadamente 214 mil mortos e cerca de 3 milhões de infectados segundo a OMS, possuindo uma taxa de mortalidade de 7,13%.

Quando relacionamos o grande contágio do vírus a geopolítica mundial, devemos levar em consideração uma série de fatores congruentes, buscar interpretar fatos atuais e o desenvolvimento dos países é primordial para assim diagnosticar uma relação entre as nações que por sua vez, visam diferentes estratégias para progredir seus campos de atuação de acordo com o seu poder político e influencias sociais e comerciais. Durante esta época pandemia, as principais camadas a serem atingidas não estão restringidas à saúde da sociedade, mas toda uma esfera econômica acaba sendo interferida negativamente, gerando oscilação nas bolsas econômicas e ações do mundo inteiro, a quarentena demasiada acarretou problemas além do previsto, no que deveria ser um isolamento vertical controlado, acabou virando uma histeria, gerando gastos exorbitantes aos cofres públicos, desemprego em massa, danos as produções agrícolas, industriais, comércio, turismo e uma relação político/econômica internacional cada vez mais estreita, os impactos as exportações e importações provocam um vínculo instável, deixando as grandes potências numa corda bamba e uma verdadeira guerra de narrativas e acusações, colaborando para o clima caótico em que nos situamos atualmente.


Um grande exemplo destas influências na política global, é o elo entre os EUA (país com maior mortalidade do vírus) e a China, justo quando as duas nações estavam prestes assinar um acordo comercial no do fim de Dezembro de 2019, o pico da doença no mês de Abril 2020 acarretou com que ambas as superpotências engajassem em uma guerra de narrativas intensas, o presidente americano Donald Trump prometeu cobrança há reparação da ordem pública por parte da China, possivelmente na imposição de tarifas e embargos comerciais; O presidente também os acusou de interferência nas eleições americanas, onde foi citado que “eles farão tudo o que podem para me fazer perder esta corrida” além da acusação de que a potência asiática ter cometido omissão de dados, os responsabilizando pela propagação do Covid-19 no mundo; Em contra partida, o Partido Comunista Chinês nega as acusações, Pequim reage com força denunciando propagação de “Fake News” por parte do Republicano, "as autoridades americanas ignoraram a verdade em várias ocasiões e proferiram mentiras descaradas", afirmou o porta-voz do ministério das Relações Exteriores chinês, Geng Shuang.

Mesmo diante desta crise diplomática, o governo de Xi Jinping (Presidente chinês) pode cativar uma forte influência global, tanto devido a situação econômica do mundo após investidores chineses usufruírem dos baixos preços das ações resultante a pandemia para investir nas Bolsas de Valores, quanto em diferentes âmbitos, como prestando amparo a países que estão padecendo tribulações oriundas ao vírus. Tais iniciativas, caso sejam concretizadas, podem resultar em diferentes desfechos entre os principais parceiros comercias da China, onde podem buscar outras alternativas para não gerar certa dependência econômica, e acabarem solicitando os mercados de possíveis concorrentes. Por outro lado, o poder de investimento chinês não podem abrir capital a todos os países, evitando empréstimos a países deficitários, como por exemplo a Venezuela, podendo abrir caminho para as variadas estratégias econômicas americanas que por sua vez tem grande histórico em força de negociação durante crises, ainda mais durante esta época de eleição, sobrará incentivos para o governo republicano apostar as fichas neste cenário e ganhar crédito com o possível eleitorado, visando uma resposta a médio/longo prazo.

Texto por : Raul Gomes (Diretor Presidente da MapGeo Jr. UFPE)


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